O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) estuda a eliminação dos órgãos metropolitanos, autarquias responsáveis pelo planejamento do desenvolvimento regional dos locais onde atuam e cujos dirigentes são indicados pelo PSD, partido presidido pelo secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD ). Como mostra o Estadãoo governador lançou o plano “São Paulo na Direção Certa” para cortar despesas e, entre as medidas estudadas, estão a extinção de órgãos públicos.
Atualmente, são quatro agências em São Paulo que atendem as regiões metropolitanas de Campinas (Agemcamp), Sorocaba (Agem Sorocaba), Baixada Santista (Agem) e Vale do Paraíba e Litoral Norte (Agemvale).
Eles estão sob a égide da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH), comandada por Marcelo Branco, que foi secretário da gestão Kassab na Prefeitura de São Paulo e coordenador da campanha de Felício Ramuth (PSD) ao governo paulista antes de ele resignado. aliar-se a Tarcísio e tornar-se vice-governador.
A avaliação é que a articulação metropolitana ganhou força no Executivo na atual gestão porque a Secretaria de Habitação incorporou a área de desenvolvimento urbano, criando a Subsecretaria de Desenvolvimento Urbano, chefiada pelo ex-vereador paulista José Polícia Neto (PSD) . As agências, embora vinculadas ao ministério, possuem autonomia administrativa, financeira e patrimonial.
“O Ministério tem fortalecido a coordenação e a visão do planejamento e desenvolvimento urbano nas regiões metropolitanas, participando ativamente dos conselhos das nove regiões metropolitanas do Estado e desenvolvendo projetos de requalificação dos municípios dessas áreas”, afirmou a SDHU, em comunicado. declaração.
“Além disso, a Subsecretaria de Desenvolvimento Urbano estruturou outros projetos habitacionais e urbanísticos. Em relação ao organograma do Departamento e de seus órgãos, estão em andamento estudos para promover maior eficiência na elaboração de políticas públicas e otimização dos gastos públicos”, continuou a secretaria.
No passado, o governo João Doria chegou a apresentar um projeto de lei propondo a fusão das quatro agências em um único órgão, a Agência Estadual de Desenvolvimento Regional, mas o texto não avançou na Assembleia Legislativa (Alesp).
Tarcísio vem sinalizando nos bastidores há meses sua intenção de extinguir as agências. No entanto, o debate se intensificará à medida que os apoiadores de Bolsonaro voltarem a criticar o governador, apesar do apoio público que ele conta com Jair Bolsonaro (PL).
O pastor Silas Malafaia deu entrevistas à imprensa esta semana reclamando da proximidade de Tarcísio com Kassab, que na esfera federal é aliado do governo Lula. Seus filhos Carlos Bolsonaro (PL) e Eduardo Bolsonaro (PL) deram mensagens de que, apesar da inelegibilidade do ex-presidente, Bolsonaro é o candidato da direita ao Planalto em 2026.
Procurado, Kassab disse, em nota, que as indicações feitas pelo PSD são técnicas, mas não comentou como receberia uma eventual extinção das agências.
“Desde o início da estruturação da gestão, o governador estabeleceu que seu governo seria montado a partir de indicações técnicas, dele ou de seus secretários, inclusive filiados a partidos. dos membros do PSD que exercem funções em órgãos metropolitanos São nomeados pelas suas qualificações técnicas”, afirmou o secretário do Governo.
No papel, os órgãos metropolitanos são responsáveis por planejar ações e propor projetos de interesse dos municípios, mas os deputados estaduais da base e da oposição afirmam, em sua maioria, de forma anônima, que não cumprem esse objetivo e acabam servindo de cabide para nomeações políticas . São duas estruturas: o Conselho de Desenvolvimento, formado por representantes das prefeituras e do governo estadual, e a Diretoria Executiva, que comanda o dia a dia do órgão.
“Na teoria é uma ideia fantástica, mas na prática acaba de virar um local para abrigar cargos políticos”, diz Paulo Corrêa Jr., líder do próprio PSD na Alesp, sobre os órgãos metropolitanos. “Os projetos que deveriam tramitar são inexistentes e, assim, as agências tornaram-se uma grande ‘casa de chá’, servindo apenas para reuniões políticas, evitando o seu verdadeiro propósito”, acrescenta.
A sede da Agemvale fica em São José dos Campos, cidade que era governada por Ramuth. Até abril, o órgão era comandado por Sergio Theodoro, presidente do PSD local e que coordenou a pré-campanha do vice-governador em 2022 e agora será o coordenador da campanha à reeleição do prefeito Anderson Farias.
Theodoro já havia dirigido a Agemvale entre 2019 e 2022, na gestão de Doria, mas segundo Ramuth, agora teria uma “missão diferente”. “O Sérgio agora tem essa missão de coordenação, queremos nos aproximar dos prefeitos e criar um governo muito próximo das cidades”, declarou o vice-governador na posse do aliado em janeiro do ano passado.
O atual diretor-executivo da agência é Marcelo Leandro, que trabalhou na gestão Ramuth em São José dos Campos. O vice-governador foi procurado por mensagem e pela assessoria de imprensa, mas não retornou o contato. Juntas, as agências têm orçamento de R$ 34,8 milhões em 2024, mas R$ 20,1 milhões, 57% do valor, estão concentrados na Agemvale.
A Agemcamp é dirigida pelo ex-coronel da Polícia Militar Eliziário Ferreira Barbosa, que também atuou na gestão Kassab na prefeitura, enquanto o ex-PM Vagner Bernardo Maria é o diretor executivo da Agem. Na Agem Sorocaba, o cargo é ocupado pelo ex-secretário de Esportes de São Roque, Leodir Ribeiro.
A Agem Sorocaba disse estar ciente da possibilidade de reestruturação dos órgãos metropolitanos, mas não recebeu nenhum comunicado oficial. O município defendeu o trabalho que realiza e disse que há projetos importantes em andamento, como o Plano Integrado de Desenvolvimento Urbano (PDUI), o VLT Sorocaba, o programa Muralha Paulista e a iniciativa de regionalização do tratamento de resíduos sólidos.
As demais agências foram procuradas, mas não se posicionaram.
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